segunda-feira, 7 de setembro de 2015

SEÇÕES GEOLÓGICAS

Os cortes geológicos visualizam a disposição e as relações entre as diferentes rochas que se encontram em profundidade, facilitando assim a leitura das estruturas que ocorrem na carta.

Para construir um corte geológico, procede-se do mesmo modo que foi descrito para um perfil topográfico. Feito o traçado da localização do corte que deve ser, tanto quanto possível, perpendicular à direção das camadas ou aos eixos das estruturas, se ajusta a borda de uma tira de papel. Nesta, além de se marcarem as intersecções com as curvas de nível, linhas de água, e outras de interesse, são marcadas também as intersecções com os limites geológicos e com os acidentes tectônicos.



Ao conjunto representado pelo perfil topográfico e as informações geológicas contidas ao longo do mesmo, denomina-se seção (perfil, corte) geológica. As suas extremidades são indicadas no mapa, por exemplo, A – B.

A escolha mais apropriada do local (ou locais no caso de mais de uma seção) onde será realizado este corte deverá obedecer a alguns critérios:
- representar da melhor maneira as feições geológicas da área, seccionando o maior número de litologias ou estruturas possíveis;
- deve ser o mais perpendicular possível à direção das camadas.

Na sua construção a partir do mapa (figura 2.3.2.), são transportados para o perfil topográfico os pontos correspondentes à interseção da linha de corte com as informações geológicas existentes, neste caso, os contatos litológicos e mergulhos das camadas.



Observe que a linha tracejada (A – B) só foi inserida na figura para auxiliar o entendimento do desenho, portanto, ela não deve aparecer na arte final.

Na transferência de informações do mapa para a seção, a geologia representada ao longo do perfil topográfico A – B deverá ser igual ao que está contido na correspondente linha de corte do mapa (figura 2.3.3.), ou seja, se uma determinada litologia (L) apresentar uma espessura aparente no mapa, deverá ter a mesma espessura aflorante (L¹) na linha da seção (desde que mantidas as mesmas escalas).



Observar que a camada de folhelho não aparece na linha de corte A – B do mapa, consequentemente, não irá aparecer no perfil topográfico correspondente, o que não impede que essa mesma litologia seja representada na seção geológica, logo abaixo do arenito.



O mesmo mapa geológico é representado na figura 2.3.4., porém, com uma alteração no ângulo de mergulho das camadas, que passou de 56 para 30 graus. Com esta mudança, a camada de conglomerado (c) que não aparecia na seção anterior (figura 2.3.3.a.), está representada na seção.

Na construção da seção deve-se inserir informações sobre a escala horizontal (igual à escala do mapa) e vertical (não necessariamente a mesma escala) utilizadas. As cotas topográficas devem ser indicadas no eixo vertical (figura 2.3.5.). Observar que no mesmo desenho que a representação das litologias não foi até a base do perfil, o que eventualmente poderia ter sido feito.

A simbologia deve acompanhar a estrutura geológica interpretada (figura 2.3.5.). As interpretações acima do perfil topográfico devem ser feitas sempre que houver uma ou mais estruturas geológicas a serem mostradas (tracejado ou pontilhado).



Observe as figuras abaixo:



Na primeira figura a simbologia indica que a rocha calcária está horizontalizada. No segundo exemplo a simbologia não está paralela à linha do contato litológico e no último desenho as simbologias referentes às diversas litologias, estão desenhadas acima do perfil topográfico, e nesta situação, o correto é representar somente os contatos.

Quando um determinado elemento geológico é definido, aproximado ou inferido no mapa, deve-se representá-lo da mesma forma na seção, portanto, um contato aproximado no mapa deverá ser aproximado na seção, uma falha definida no mapa deverá ser definida em seção (figura 2.3.6.).  Se for necessário indicar uma informação planimétrica no perfil, como por exemplo a estrada do Sumidouro, a mesma deverá ser discreta (letras pequenas) para não chamar muita atenção.



Representações de falhas






Análise, Leitura e Interpretação de uma Carta Geológica

As cartas de pequena escala dão uma visão global da geologia de um determinado continente, país ou região. No entanto, não são precisas para marcar qualquer ponto ou traçar uma linha na carta e, quando se pretende utilizá-las em trabalhos que exijam detalhe, podem não conter informações suficientes. O seu maior interesse é principalmente científico-didático.

As cartas de grande escala, mais detalhadas, são as mais usadas nas aplicações práticas da geologia. Uma Carta Geológica chama atenção a diversidade de cores que geralmente apresenta, e com contornos variados. Cada cor tem o seu significado, representando um conjunto de características que determinam a natureza e/ou a idade da formação rochosa aflorando na região da carta. Geralmente, cada cor é assinalada com um símbolo, letra normal ou grega - esta para rochas magmáticas, seguido ou não de outras letras ou algarismos, que permitem identificar melhor as cores.



Na legenda, onde estão representadas, dentro de pequenos retângulos, todas as cores e todos estes símbolos, é descrita de forma resumida, a natureza e o nome da unidade cartografada. A ordem como se dispõem estes retângulos, quando referidos a rochas sedimentares e metamórficas, é geralmente, segundo o “princípio da sobreposição”: as unidades mais modernas vão-se sobrepondo às unidades mais antigas.



Em geral, incluem-se, na parte inferior desta escala estratigráfica, os terrenos de idade desconhecida. Para a interpretação da carta e estabelecimento de cortes geológicos, a consideração deste escalonamento é fundamental.

As rochas magmáticas são colocadas separadamente, podendo estar ordenadas na vertical, conforme a sequência da idade. Além da legenda referente ao conteúdo colorido da carta, existem símbolos convencionais que identificam e posicionam estruturas ou outros elementos de interesse geológico, mineiro e arqueológico que se encontram na carta: limites geológicos; dados referentes à tectônica, como falhas, cavalgamentos, carreamentos; dados relativos às estruturas, como direção e inclinação de camadas, xistosidades, eixos de dobras, e ainda poços, nascentes de água normal ou mineromedicinal, sondagens, furos de captação de águas, pedreiras, jazidas fossilíferas, estações arqueológicas, entre outros.

A coluna estratigráfica

As cartas apresentam geralmente, a coluna estratigráfica referente à área a que dizem respeito, bem como cortes geológicos representativos das principais estruturas geológicas que ocorrem na carta.



Na coluna estratigráfica são representadas, graficamente, as formações que se encontram na carta, dispostas na vertical e pela ordem que se supõe ocorrerem em profundidade, bem como as relações geométricas entre elas. As estruturas e o conteúdo fossilífero podem estar indicados por símbolos, e as espessuras das formações devem ser desenhadas conservando as proporções. A coluna é como que a representação do testemunho de uma sondagem gigante e profunda que, supostamente, fosse realizada na região e englobasse todas as formações nela existentes.

Cortes geológicos

Os cortes geológicos visualizam a disposição e as relações entre as diferentes rochas que se encontram em profundidade, facilitando assim a leitura das estruturas que ocorrem na carta.

Para construir um corte geológico, procede-se do mesmo modo que foi descrito para um perfil topográfico. Feito o traçado da localização do corte que deve ser, tanto quanto possível, perpendicular à direção das camadas ou aos eixos das estruturas, se ajusta a borda de uma tira de papel. Nesta, além de se marcarem as intersecções com as curvas de nível, linhas de água, e outras de interesse, são marcadas também as intersecções com os limites geológicos e com os acidentes tectônicos.



Seção de uma carta geológica simplificada mostrando a localização do corte geológico A-B que se pretende realizar
Embora ainda não sejam usuais, os blocos diagrama figuram em algumas cartas geológicas. Um bloco diagrama procura dar uma visão tridimensional em perspectiva, de uma determinada região mostrando a continuidade das rochas que afloram em superfície com as mesmas rochas em profundidade, por intermédio de dois cortes geológicos mais ou menos perpendiculares.

Estabelecido o perfil topográfico, estas intersecções dos limites e acidentes vão ser assinaladas na linha do perfil. Esta linha é recoberta nos espaços delimitados pelos pontos com as cores correspondentes às diferentes formações intersectadas.

Analisando, na carta geológica, a relação entre as formações identificadas pelas diferentes cores, as direções e inclinações das camadas, os limites, as idades e, ainda, os dados referentes às estruturas estima-se o comportamento das camadas em profundidade

As rochas magmáticas cortam todas as camadas e estruturas pré-existentes.


Interpretação de uma Carta Geológica

A leitura da carta geológica é feita observando a sobreposição das camadas, a relação entre os limites geológicos e as curvas de nível - topografia, e na forma dos contornos das cores que representam as formações. São também importantes, a indicação da direção e inclinação das camadas, xistosidades, eixos das dobras e a representação dos eixos dos sinclinais e anticlinais.

Esta leitura nem sempre é fácil pois os acidentes resultantes de fenômenos de compressão e distensão, que atingiram as rochas depois da sua deposição, podem dobrar e inclinar as camadas, e até inverter a posição original ou provocar rupturas, com deslocamentos das massas rochosas. Nestas condições extremas, a interpretação das estruturas existentes requer conhecimentos especializados.



Para compreender as estruturas presentes na carta, é feita uma distinção entre as rochas magmáticas que geralmente afloram em maciços mais ou menos arredondados, as rochas de cobertura como depósitos de cascalhos, dunas e aluviões, e as rochas sedimentares e metamórficas.

Enquanto as rochas magmáticas vieram da profundidade, cortando as rochas encaixantes até chegar à superfície, os depósitos recentes recobrem as rochas pré-existentes formando uma camada superficial.

Só as rochas de origem sedimentar e metamórfica, permitem fazer a interpretação das estruturas, de acordo com o conhecimento da idade relativa destas formações e ainda com os elementos de ordem estrutural como, direções e inclinações das camadas, xistosidades e eixos de dobras.

Observando como os limites geológicos das rochas sedimentares cortam as curvas de nível, são tiradas algumas conclusões.



Quando os limites geológicos são aproximadamente paralelos às curvas de nível, as camadas devem encontrar-se mais ou menos horizontais.



Quando o limite geológico corta as curvas de nível em linha reta nos terrenos de declives mais ou menos acentuados e as curvas são muito juntas e abundantes, as camadas de rochas devem estar quase verticais.



Quando a inclinação das camadas é no mesmo sentido do declive topográfico, a linha de intersecção do limite geológico tem um aspecto curvo, inverso ao das curvas de nível.



Quando a curva de intersecção tem o mesmo aspecto das curvas de nível, mas corta obliqüamente com abertura menor, a inclinação das camadas é no mesmo sentido do declive topográfico, mas inferior ao declive.



Quando a inclinação das camadas se faz no sentido contrário ao declive topográfico, a curva de intersecção do limite tem o mesmo aspecto que as curvas de nível, mas corta-as obliqüamente com uma abertura maior.

Duas situações podem acontecer juntas e ser visualizadas quando se examina uma mesma carta geológica: formações onde os limites formam faixas coloridas paralelas e alinhadas, ou formações em que os limites, embora desenhem também faixas coloridas paralelas, formam, curvas acentuadas.

No primeiro caso, é muito provável a presença de uma estrutura monoclinal onde as camadas estão inclinadas no mesmo sentido. No segundo caso são zonas de dobramentos, cujas regiões de curvaturas máximas devem corresponder a zonas de charneira de dobras, intersectadas pela superfície topográfica.



As dobras são, essencialmente, de dois tipos, sinclinais - estrutura dobrada em que a concavidade da dobra está voltada para cima e anticlinais - dobras em que a concavidade está voltada para baixo. Deste modo as camadas mais antigas estão posicionadas por baixo das camadas mais recentes. Assim nos sinclinais, o núcleo da dobra é ocupado por formações mais recentes enquanto que, nos anticlinais, no núcleo localizam-se as formações mais antigas.

A observação dos símbolos indicativos da direção e inclinação das camadas, bem como da leitura da inclinação dos eixos das dobras facilitam, ou podem confirmar a leitura realizada.

Os cortes geológicos que acompanham as cartas geológicas, representam a interpretação, feita pelos seus autores, das estruturas mais características da região estudada.

A Nota Explicativa

A Nota Explicativa de uma carta é um pequeno livro que a acompanha, destinado a completar as informações contidas na carta e a facilitar a sua interpretação.

Na Nota Explicativa se acrescentam muitos conhecimentos que foram colhidos durante os levantamentos de campo e que não puderam ser incluídos devido à escala utilizada. Embora escrita numa linguagem técnica, esta publicação não se destina unicamente aos geólogos, mas também a outros campos
profissionais, e aos curiosos por assuntos geológicos. Uma Nota Explicativa começa com uma Introdução, na qual são nomeados os autores e colaboradores na elaboração da carta e da Nota, onde se cita a localização da região no que diz respeito às vias de acesso, hidrografia, relevo, geomorfologia, e ainda uma referência aos trabalhos publicados anteriormente.

No capítulo Estratigrafia ou Geologia é feita uma descrição pormenorizada das rochas que ocorrem na carta, apresentando as formações de origem sedimentar por ordem cronológica, da mais antiga para a mais recente e descrevendo o seu conteúdo fossilífero. Menciona-se também a natureza e a composição química das rochas aflorantes, como petrografia e geoquímica.

O capítulo Geologia pode ainda conter informações relativas aos  metassedimentos, depósitos de cobertura e rochas ígneas. Capítulos especiais são, ou poderão ser dedicados à Tectônica, Magmatismo, Metamorfismo, Hidrogeologia, Geologia Econômica ou Recursos Minerais e Arqueologia.

No final, a Nota contém a bibliografia temática relativa à região abrangida pela carta.

Notas Finais

A Carta Geológica e a sua Nota Explicativa são os produtos finais de uma longa e complexa atividade destinada a tornar acessível ao público um valioso conjunto de informações científicas e técnicas sobre uma determinada região, com aplicação na resolução de inúmeros problemas econômicos e ambientais.
Os resultados justificam os custos da cartografia geológica. Na verdade, esta cartografia constitui um bom investimento para o Estado: estudos econômicos feitos em vários países, comprovaram que o seu investimento tem um breve retorno, só pelos benefícios econômicos diretos dela resultantes.

Toda a Carta Geológica, como qualquer outro documento científico, nunca é definitiva. O progresso das Ciências Geológicas requer revisões periódicas das cartas já publicadas.

Outros dados da carta geológica






Material extraído de:

·         VAINE, Maria E. Eastwood. O trabalho do geólogo e a importância das cartas geológicas para o desenvolvimento. Série Geologia na Escola, Caderno 2. Curitiba : Mineropar, 2005.

·         Métodos gráficos. UFPR. www.geologia.ufpr.br/graduacao2/.../metodosgraficosalunos.doc

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Mapas geológicos e orientação no campo

Escala

A escala do mapeamento é determinada a partir do problema geológico a ser tratado. Mapas geológicos de escalas muito grandes incluem, por exemplo, aqueles de fundações de prédios para avaliar os problemas potenciais de engenharia. Mapas de escala muito pequena, como aqueles de estados e províncias, normalmente são feitos a partir da junção e compilação de mapas de grande escala de áreas menores e mais detalhadas.
Os termos “pequena escala” e “grande escala” referem-se ao tamanho do mapa em relação ao terreno representado. Desse modo, um mapa com escala 1:10.000 tem escala maior que um mapa 1:50.000.

Tipos de mapas geológicos

Os mapas geológicos dividem-se em:
     Mapas de reconhecimento
     Mapas geológicos regionais
     Mapas de grande escala (detalhados)
     Mapas especiais

Os mapas de pequena escala que cobrem regiões muito grandes são compilados a partir de um ou mais desses grupos.

Os mapas de reconhecimento geológico são feitos para descobrir o máximo de informação de maneira rápida. Utiliza-se escala 1:250.000 ou menor. Alguns são feitos por sensoriamento remoto (imagens aéreas e de satélites, combinando com modelos digitais do terreno, usando satélites e radares), com  um mínimo de trabalho no terreno.

Os mapas geológicos regionais devem ser apoiados por fotogeologia sistemática. As escalas variam de :25.000 a 1:50.000, embora alguns sejam de até 1:100.000. No Brasil, por falta de levantamento topográfico adequado, os geólogos acabam tendo que fazer esse levantamento.

Os mapas geológicos detalhados são feitos para investigar problemas específicos que surgem durante o mapeamento em escalas menores: alvos de prospecção, investigação preliminar de uma represa ou outros projetos importantes de engenharia. Utiliza-se escala: em torno de 1:10.000.

Os mapas especiais são mapas de grande escala de pequenas áreas, para registrar detalhadamente características geológicas específicas: pesquisa, fns econômicos, plantas de minas a céu aberto, geoquímica, geofísica etc. As escalas variam de 1:10.000 a 1:500.
A maioria dos dados é mantida em bases de dados georreferenciados SIG, que podem ser sobrepostos em mapas geológicos para estudas sua relação espacial com a geologia física.

Mapas Topográficos

São indispensáveis para o mapeamento geológico. No Brasil, algumas cartas topográficas digitais estão disponíveis no site do IBGE:

Área Mínima Mapeável

Este conceito se refere ao tamanho mínimo que um polígono deve assumir numa determinada escala visando o aproveitamento do dado que ele representa. Em cartografia, define o tamanho da área que um determinado objeto deve conter para que seja representado num mapa ou carta geográfica. O olho humano é capaz de distinguir até 0,2 mm (Acuidade Visual) sem nenhum tipo de lente.

A depender da escala utilizada, o tamanho da Área Mapeável define o tamanho do erro aceitável num mapeamento.

Posições encontradas em mapa

Quando em campo, um geólogo deveria ser capaz de dar seu ponto de localilzação em um mapa com um erro de até 1 mm da sua posição correta, não importando a escala do mapa; em outras palavras, deve ser capaz de se localizar em até 10 m no solo, em uma escala de 1:10.000, e em até 25 m em uma folha de 1:25.000. Quando apenas mapas de qualidade inferior estiverem disponíveis, vários dias serão necessários para o geólogo levantar as posições de pontos úteis para utilizar no mapeamento geológico. Se usar um GPS, não somente a posição determinada será conhecida, mas também sua precisão.

A precisão de um GPS é variável, pois depende do número de satélites visíveis, de suas configurações e de quanto tempo você ficou conectado a eles. Nunca confie totalmente em seu GPS, pois nem sempre ele estará acessível. Um geólogo deve saber localizar-se no planeta Terra sem precisar de um GPS.

Lendo seu mapa

Mesmo que você esteja usando o GPS, consulte seu mapa a fim de monitorar continuamente sua posição. Isso poupará tempo valioso em campo, pois chegar a um local e ter de se localizar a partir do zero pode demorar muito. Leve seu mapa embaixo do braço, e não dentro da mochila, e inspecione-o em intervalos regulares através da capa de proteção transparente da sua prancheta de mapas.

Quando estiver navegando:

1.    Segure seu mapa na orientação correta, usando sua bússola se necessário (Figura 3.5)
2.    Procure por feições no solo e confira se elas constam no mapa.
3.    Antes de deixar um local, olhe ao redor para ver se há mais exposições e tenha em mente qual será sua próxima parada. Então, faça uma estimativa dessa localização no mapa. Isso lhe ajudará a poupar tempo quando chegar lá.



Medição com passos

Como geólogo, você deve saber o comprimento do seu passo. Com a prática, você será capaz de determinar distâncias com a medida de seus passos, com uma margem de erro menor que 3 m em cada 100 m, até mesmo em solos ligeiramente acidentados. Isso significa que, quando você usar um mapa de escala 1:10.000, será possível medir 300 m de uma área com seus passos e ainda ter 1 mm de precisão admissível e acima de meio quilômetro se usar um mapa 1:25.000. Entretanto, a medição com passos não é recomendada para longas distâncias, a não ser que seja essencial. Com um GPS, distâncias maiores que 500 m podem ser medidas com a precisão de mais ou menos 5 m.
Estabeleça o comprimento do passo explorando 200 m sobre um tipo de solo comum (e não em um solo plano e asfaltado, como o de uma rodovia). Meça a distância com seus passos duas vezes em cada direção contando os passos duplos, pois eles são menos prováveis de serem contados erroneamente quando medimos longas distâncias. Dê um passo natural constante e, sem contar, tente ajustar seu passo a um comprimento específico, como por exemplo, um metro. Olhe para frente para que você não ajuste inconscientemente seus últimos passos para obter sempre o mesmo resultado.



Faça uma tabela com os passos e as distâncias e faça cópias. Anexe uma cópia na parte de trás da sua caderneta e uma no seu estojo de mapas. Ao usar essa tabela, lembre-se de que você reduziu seu passo nas subidas e descidas. Por isso, cuidado para não superestimar, isso é uma questão de prática. Se grandes distâncias precisam ser medidas com passos, passe um seixo de uma mão para outra ou de um bolso para outro após cada 100 passo, assim você evita perder a conta.

Localização com medição de passos e orientação com bússola

A maneira mais simples de localizar-se em um mapa, se uma simples inspeção é suficiente, é permanecer em um ponto desconhecido e medir a orientação com a bússola de qualquer feição impressa no mapa, como uma casa, o canto de uma cerca de pedras ou uma junção de rodovias. Você deve plotar a orientação no mapa (Figura 3.6). Meça a distância com passos, contanto que ela permaneça dentro da precisão para a escala do mapa que você está usando; trace a orientação inversa da feição, converta a distância dos passos para metros (usando sua própria versão da tabela de passos) e meça a distância ao longo da orientação inversa com uma escala.



Se você está usando uma bússola prismática, a maneira mais rápida de plotar uma orientação é com o método de marcar o ponto (MOP). Isso levará alguns segundos. Observe a seguir:  

1.    1.    Coloque seu lápis no ponto do mapa onde a observação foi feita (Figura 3.7a).
2.    Usando o lápis como um pino de apoio, deslize seu transferidor ao longo do lápis até que a origem do transferidor encontre-se sobre a linha Norte-Sul do mapa mais próxima ao ponto; então, mantendo a origem do transferidor sobre a linha do mapa, deslize e gire seu transferidor em volt do lápis ainda mais, até que ele leia a orientação correta (Figura 3.7b).
3.    Desenhe a linha de direção que passa pelo ponto de observação ao longo da borda do transferidor (Figura 3.7c).

Quanto maior o transferidor, melhor; é recomendado um de 15 cm. Se necessário, desenhe linha de coordenadas extras, se aquelas desenhadas em seu mapa de campo estiverem muito afastadas. Algumas orientações, como as que se encontram entre 330º e 030º, são mais fáceis de plotar a partir das linhas leste-oeste.



Estações ou pontos transversais

O levantamento com estações ou pontos transversais é um método simples de plotar detalhes em um mapa. É muito útil quando um grande número de pontos deve ser plotado em uma área pequena. Meça uma orientação com a bússola a partir de uma posição conhecida (p. e., a casa na Figura 3.8) e direcione para qualquer ponto conveniente situado na direção geral das exposições (a árvore na mesma figura) que você queira localizar no seu mapa. Meça com passos ao longo dessa linha até que você esteja em frente à exposição lateral a ser examinada. Largue a mochila e, então, meça seus passos em direção à exposição em ângulo reto à sua orientação principal: essa linha é transversal. Plote a exposição. Retorne a sua mochila e prossiga com a medição de passos em direção à árvore até chegar em frente à próxima exposição. Esse método é bastante rápido, pois, uma vez que a direção dos caminhamentos transversais (ou “linha de estações” de um levantamento comum) está determinada, não há necessidade de usar sua bússola novamente; desde que as transversais sejam pequenas, você deve ser capaz de calcular o ângulo reto da linha transversal a partir da linha principal para comprimentos pequenos, porém verifique com a bússola linhas transversais mais longas.



Uma variação desse método pode ser usada em mapas que tenham cercas ou muros. Use a cerca como a sua linha de estações. Conte com passos a partir do canto do muro ou cerca e obtenha a transversal a partir dessa linha. Se a cerca for longa, tire uma orientação ocasional com a bússola para um ponto distante e plote a orientação no sentido oposto. Ela deve passar pelo muro onde você está..

Dica: Faça pleno uso de cercas e muros impressos nos mapas para se localizar. Uma intersecção de cercas e feições do gênero fornece pontos conhecidos. Também compare as informações de seu GPS com as feições no mapa.


Intesecção de orientações e feições linerares

Sua posição em qualquer elemento alongado mostrado em um mapa, como uma rodovia, uma trilha, uma cerca ou um rio, pode ser encontrada obtendo uma orientação com uma bússola de qualquer feição que possa ser identificada no mapa. Plote a orientação inversa a partir dessa feição (pontos A, B e C na Figura 3.8) para intersectar a trajetória de um rio e assim por diante, e essa será a sua posição. Quando for possível, verifique com uma segunda orientação de outro ponto. Escola seus pontos para que as orientações inversas cortem a cerca ou outro elemento linear em um ângulo entre 60º e 90º para melhores resultados (Figura 3.9).



Ressecção com a bússola: intersecção de três orientações inversas

A ressecção com a bússola é feita onde o solo é muito acidentado, muito íngreme, muito pantanoso ou quando as distâncias são muito longas para serem medidas com passos. As orientações com a bússola são feitas no ponto desconhecido para três feições facilmente reconhecíveis no mapa, escolhidas para que suas orientações inversas se intersectem em ângulos entre 60º e 90º. As intersecções ideais, infelizmente, raramente são possíveis, porém deve-se sempre tentar aproximar-se delas (Figura 3.10). As feições nas quais os orientações são feitas incluem cantos de muros e cercas, casas de fazendas, currais de ovelhas, intersecções de trilhas e rios, estação de triangulação ou até mesmo uma pilha de pedras que você tenha construído em um ponto proeminente para esse propósito.

Geralmente, as orientações não se intersectam, mas forma um triângulo de erro. Se o triângulo tem menos de 1 mm transversalmente, pegue o centro como a posição correta. Caso seja maior, verifique suas orientações e sua plotagem. Se ainda existe um triângulo, aviste, se conseguir, um quanto ponto. Se o erro persistir, é possível que você tenha coloca do a correção errada para declinação magnética em sua bússola, talvez você esteja em uma rocha com magnetita, como um serpentinito, esteja muito próximo de um portão de ferro ou de uma torre de alta tensão elétrica; você ainda pode ter lido sua bússola usando um bracelete magnético anti-reumatismo ou estar com seu martelo pendurado no cinto. Na pior das hipóteses, sua bússola pode não estar apta para o trabalho. Quando estiver plotando, não desenhe linhas de orientação desde o distante ponto de observação, mas somente longas o suficiente para cruzar sua posição. Não registre as linhas, somente desenhe-as levemente e, quando seu ponto estiver estabelecido, apague-as.





Texto extraído de: LISLE, R. e outros. Mapeamento geológico básico: guia geológico de campo. Porto Alegre : Bookman, 2014.